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13 de Outubro de 2019

Sobre socialismo, nazismo e por que a Ku Klux Klan é de extrema-direita

Ku Klux Klan é considerada de extrema-direita porque faz defesas extremas de hierarquização e ordem social racistas

Roni Pereira, Estudante
Publicado por Roni Pereira
ano passado

Parte da direita brasileira é estúpida e maniqueísta. Ela acha que a esquerda é o mal do mundo, que tudo de ruim vem do lado oposto do espectro político. Este tipo de direitista, que costuma vir nos comentários das minhas postagens encher o saco, foi doutrinado a acreditar que só tem honesto e santo entre seus correligionários. Quando confrontado com o fato de que a direita causou duas guerras mundiais, o holocausto e linchou negros no século passado, ele não aceita. Não, para ele só a esquerda faz coisas ruins. Para reforçar essas convicções, se apega a argumentos patéticos como aqueles que dizem que Adolf Hitler, Benito Mussolini e, agora, até o ex-líder da Ku Klux Klan David Duke são esquerdistas.

Sobre os dois ditadores fascistas, há inúmeros textos na internet, inclusive meus, com bons argumentos demonstrando que ambos estão na extrema-direita. O foco deste texto será a KKK, pois o vereador da cidade de São Paulo, Fernando Holiday (DEM), escreveu no Twitter que o líder supremacista branco e racista seria um esquerdista porque pertenceu ao "Partido Nacional Socialista da América" e que defendia supostos ideais de "igualdade" (ele colocou igualdade entre aspas mesmo). Confira aqui o tweet dele.

O contexto disso foi a notícia de que Duke elogiou Bolsonaro, encontrando nele semelhanças ideológicas e até de aparência. Receber simpatia de um racista e supremacista branco diz muito sobre o ex-capitão e favorito a se eleger presidente em 28 de outubro. Holiday, então, saiu em defesa do seu candidato, tentando ligar o ex-líder da KKK à esquerda.

Holiday recorre ao argumento estúpido e raso de sempre: o nome "socialista" indicaria o esquerdismo de qualquer partido. No meu texto O "socialismo" de Adolf Hitler, eu explico que o termo "socialismo" não era de uso exclusivo da esquerda. O Führer tinha sua própria concepção de "socialismo" que, segundo ele, era uma "instituição ariana e alemã": os arianos supostamente repartiam a terra entre si, se preocupavam com o bem-estar geral com base na "solidariedade racial". Para o genocida, os marxistas roubaram o termo "socialista" dos arianos.

Direita e esquerda não são conceitos estanques, mas ambos têm essências que transcendem épocas e locais. Enquanto a esquerda defende igualdade social, a direita defende estratificação. Essa conceituação existe desde a Revolução Francesa (1789-1799) e refere-se aos lugares que os políticos sentavam na Assembleia dos Estados Gerais: do lado direito estavam os defensores do hierárquico Antigo Regime; do lado esquerdo estavam os radicais, que defendiam profundas mudanças políticas.

Essa definição bem básica permite entender por que o nazifascismo e a defesa do "Estado mínimo" estão no lado da direita mesmo com pontos de vista distintos sobre o uso do Estado. Tanto o nazifascismo quanto a pregação de "Estado mínimo" têm em suas essências a defesa de hierarquias sociais. Enquanto o primeiro defende a estratificação com base na "raça" ou "sangue", o segundo defende com base na competição de mercado.

O "socialismo" do lado da esquerda objetiva acabar com essas hierarquias, seja de classe social, de "raça" e de gênero: trata-se de uma passagem do capitalismo para o comunismo, que seria uma sociedade sem essas estratificações, utopicamente falando. O "socialismo" de Adolf Hitler defendia a construção de uma hierarquia racial em que os arianos seriam os privilegiados por serem "superiores" - bem-estar social deveria existir apenas entre eles, em detrimento aos "inferiores". O genocida, além de ser racista, não defendia fim das classes sociais e discriminava gêneros, ele próprio dizia que o "verdadeiro socialismo" não repudia a propriedade privada.

O National Socialist White People's Party, que David Duke fez parte, também defende hierarquia racial. O partido tem esse nome porque se inspirou no nazismo alemão, copiando sua ideologia e iconografia. Por isso o termo "socialismo" presente no nome tem a mesma explicação dada acima.

KKK é de extrema-direita

A Ku Klux Klan é considerada de extrema-direita porque faz defesas extremas de hierarquização e ordem social racistas. São reacionários, defendem o retorno de uma sociedade onde não existia igualdade entre brancos e negros. Evoco aqui o conceito de extrema-esquerda - o socialismo marxista tem características historicistas. Além da pregação da abolição de hierarquias sociais, o revolucionário socialista acredita na progressão da história rumo ao comunismo. A KKK não acredita em nada desse tipo, porque o que esse grupo idealiza é o retorno a um passado supostamente melhor que os tempos atuais. Seus membros são aqueles que querem fazer as engrenagens da história rodar para trás, para épocas onde a hegemonia branca era mais forte.

Tanto a KKK quanto o socialismo prático são antiliberais (não me refiro a Karl Marx, que era um pós-liberal), mas as motivações políticas para isso são distintas e é isso que os colocam em lados opostos. O ódio de gente como David Duke às políticas liberais está relacionado, novamente, à defesa de estratificação social, o racismo: não quer que o negro desfrute de liberdades civis e individuais por ser "inferior". Com visão diferente, os apologistas do socialismo real repudiavam tais liberdades porque acusavam as concepções que as sustentam de "concepções burguesas"; e como acreditavam em "leis da história", pensavam que valeria a pena sacrificar direitos civis em prol do comunismo.

O totalitarismo da KKK, que felizmente não chegou a ser praticado, teria como finalidade a construção de uma "utopia racial" somente com brancos e com aniquilação ou escravização dos negros. O caráter totalitário do socialismo real tinha como objetivo eliminar toda forma de hierarquia de classe e alcançar o comunismo (não funcionou).

Diante desses argumentos apresentados, não tem como dizer que a KKK é de esquerda ou extrema-esquerda. O antiliberalismo de ambos está ligado ao extremismo contrário ao liberalismo político que fundamenta o sistema político moderno. As visões radicais de esquerda e direita propõem a ruptura dessa ordem liberal - a esquerda radical quer romper "para frente", para o pós-liberalismo; a direita radical quer voltar "para trás", quer o retorno ao passado supostamente melhor por ser mais hierárquico.

Fernando Holiday está certo numa questão: a educação desse país na era PT foi mesmo ruim, já que ele mesmo não aprendeu nada de história na escola. Ele diz que quem divide a sociedade é a esquerda e que por isso a KKK estaria nesse lado do espectro. Não, caro vereador, quem deseja hierarquizar a sociedade é a direita, desde o século XVIII e a KKK só está sendo coerente com o que prega o direitismo, só que de forma mais extrema. Não foi por acaso que Duke elogiou Bolsonaro.

16 Comentários

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Passou vergonha como sempre, igual nas suas outras postagens. Eram de esquerda sim, olhe a ideologia deles. Estava até levando a sério até ver uma postagem falando que Venezuela não e socialistas 😂😂😂😂😂 continuar lendo

"Eram de esquerda sim, olhe a ideologia deles."

É tudo que você consegue dizer para "rebater" meu texto? Ha ha ha

Será que sou eu quem está passando vergonha? continuar lendo

Sim, é você. Olhe a ideologia e modo de governo que eles buscavam, só comparar que vai ter certeza de qual lado que eles eram, nenhuma pessoa de direita buscava desarmamento como esses ai não, sem falar que eles apoiam estado fechado e não livre iniciativa das empresas privadas. Estude meu amigo, pare de der iludido pela a mídia, os maiores governantes do mundo são de direita. continuar lendo

Você nem leu o texto. É mais um que aparece aqui, lê apenas o título (por preguiça ou medo), vê suas convicções abaladas e depois vem comentar tolices que já foram rebatidas no texto. E no fim, ainda manda os outros fazerem o que você não faz, que é estudar.

Meu argumento é bastante claro: direita e esquerda não se definem por Estado "aberto" ou "fechado".

De onde você tirou que a KKK é contra a livre-iniciativa, sendo que a KKK foi criada no Sul dos Estados Unidos, no meio do confronto "Norte contra o Sul", em que o Norte era defensor do protecionismo e o Sul defendia o livre-cambismo?

De onde você tirou que a KKK é a favor do desarmamento? Ela quer os negros desarmados, por motivos racistas, mas não ela própria.

O iludido é você, não eu. Iludido por panfletos ruins de direita. continuar lendo

Li a matéria sim. Pesquise única coisa que posso falar. Todos os meus argumentos são plausíveis. continuar lendo

Não, seus argumentos não são plausíveis. São simplistas e equivocados. continuar lendo

Continue passando vergonha meu amigo! Tenha uma excelente semana ! continuar lendo

Você vem aqui e acusa a KKK, cuja origem foi no Sul livre-cambista, de ser contrário a livre iniciativa e sou eu quem está passando vergonha... Ha ha ha

Boa semana no seu mundinho paralelo. continuar lendo

Bom dia, meu caro. Tudo bem?

Olha, li o texto, e, realmente, o nobre autor até acerta em 'alguns pontos' da abordagem, todavia, entra no mesmo erro que vejo a maioria incorrer, qual seja, tentar enquadrar 'tudo' dentro do espectro fechado de 'esquerda' e 'direta'.

Precisamos entender que 'esquerda' e 'direita' são linhas ideológicas 'horizontais' e bem 'opostas', com 'pensamentos' e 'objetivos' muito bem definidos, por isso, é impossível condudi-las.

Ademais, não há como negar que, destas, podem sim advir algumas vertentes mais alinhadas de forma 'verticalizada', ou seja - que na sua base primária - até tendiam mais para um lado, todavia, fugiram absurdamente do seu espectro padrão, e se tornaram uma 'ramificação' impraticável dentro de suas raízes como é o caso do 'anarcocomunismo' - extrema esquerda - e do 'anarcocapitalismo - 'extrema direta', devido serem bastante utópicos, e, na prática, serem absolutamente inviáveis, visto que exigiria de todos um 'senso moral ético' praticamente incorruptível e uma principiologia 'altruística' impecável.

Nesse aspecto, observe que, os 'dois extremos' pressupõe praticamente algo em comum 'o fim do Estado', se diferenciando basicamente na 'questão econômica'. Claro, muitos adeptos - 'mais light' - até admitem que, se possa aceitar um 'mínimo' de Estado, de um ou de outro lado, todavia, os mais 'radicais ou raíz' nem isso concebem - 'nada de concessões ideológicas', afinal, é 'oito ou oitenta'.

Ademais, não podemos deixar de registrar que 'alguns movimentos' fogem tanto às suas principiologias, que passam a ser tidos como uma espécie de ideologia 'sui generis', ou seja, uma 'anomalia ideológico-política' que não se sustenta nem de um lado nem de outro, e, quase sempre junta elementos principiológicos dos dois lados, e ainda incrementa 'outros critérios', os quais geram o aspecto 'anômalo' e 'sui generis' de seu enquadramento - ou seja, 'uma coisa que não se encontra em 'termos absolutos' nem de um lado nem de outro', mas pelo 'aspecto totalitário' se posiciona acima de ambas as correntes, oprimindo e mutilando pessoas tanto de 'esquerda' como de 'direita'.

Um dos pontos cruciais da 'Esquerda' tradicional é a concentração de poder no Estado como forma de 'controlar' a suposta ganância e egoísmo 'capitalista opressor', e para isso, suprime as 'liberdades individuais' de uns em detrimento de outros. Os ricos são sempre vistos como 'egoístas potenciais' que querem que o resto do mundo se exploda, e buscam apenas o 'enriquecimento pessoal', e por isso precisam ser controlados, precisam ser regulamentados, precisam ser contidos. Daí surge o 'excesso tributário' a estes em detrimento dos mais pobres. Se cria uma 'divisão social' baseada nas classes, de forma que o 'proletariado' é a vítima em detrimento do 'empresário' - detentor dos 'meios de produção' - que passa a ser o opressor dessa relação. O 'Estado', por sua vez, passa a agir como 'controlador e regulador' dessa relação, buscando 'impedir' que essa suposta opressão ocorra, e, desse modo, acredita que irá criar uma sociedade mais 'justa e solidária', onde todos sejam 'igualmente iguais', o que a meu ver também é bastante utópico.

01. O 'capitalismo é opressor', ricos são gananciosos e precisam ser controlados para o bem da sociedade, e com isso, o Estado passa a concentrar todos os poderes e atribuições, e, obviamente, quando o Estado concentra poder demais sabemos o que acontece. Uma das minhas críticas se encontra justamente aqui, na 'excessiva concentração de poder nas mãos do Estado' que vai implicar na criação de 'homens empoderados' cujo poder leviatânico 'estatal e paramilitar' encontra-se sob seu controle, fazendo surgir os grandes 'ditadores', alguém cujo poder foi concentrado em si, na figura de um líder 'carismático' e 'solucionador de problemas' sociais. Assim, para identificar o risco de um 'líder governante' ser um 'potencial ditador', observe suas 'ideologias políticas', de modo que, se ele transparece - através de suas ideias - ser adepto da 'centralização de poder nas mãos do Estado', regulamentador e interventor, defensor inclusive da 'regulamentação das mídias', 'controle estatal inquestionável', e 'controle fiscal do direito de liberdade de expressão', poder-se-á estar diante de um futuro ditador e totalitarista. Os ditadores surgem sempre da 'concentração de poder' e do 'controle totalitário', inclusive em relação ao 'mercado'. Outros países dificilmente conseguem entrar naquele mercado, devido ao excesso restricional, tributário e regulamentatório.

02. o 'proletariado' - o trabalhador mais pobre - é oprimido pelos capitalistas opressores, e precisam ser protegidos. Confesso que até compreendo esse aspecto, e penso que o 'Governo', sim, deve prezar para que não haja 'excessos e exploração escravagista' ou em 'condições sub-humanas' ou 'exploratórias', ademais, precisa se tomar o cuidado de não extrapolar os seus poderes se tornando um tirano 'impositor e controlador' dos detalhes mais mínimos dessa relação, portanto, ter o zêlo de não 'impor preços' ou 'valores de serviços', 'medidas milimétricas das cadeiras' que o empregado senta - vide 'normas regulamentadoras' do MTE -, 'diâmetros do espaçamento de uma escada', cor do uniforme, dentre outros excessos, do contrário, passa a ser controlador e interventor nas liberdades individuais, nas quais se incluem as 'liberdades contratuais', e ao invés de ajudar, acaba atrapalhando o desenvolvimento econômico, que ao final, beneficia toda a sociedade com 'variedades de produtos', 'bens', 'tecnologias' e 'serviços', decorrentes do 'livre exercício da capacidade de criação' e 'empreendedorismo' do ser humano. Essa é a 'beleza da vida', entender que as pessoas não são iguais, afinal, nem todo mundo está disposto a 'liderar e empreender' - pois, exige um 'preço' muito alto, e 'dedicação' quase que exclusiva -, de igual modo, existem aqueles que não estão dispostos a serem 'empregados' - não conseguem estar presos a um ciclo repetitivo de trabalho e ordenanças -, e os que querem uma vida mais 'simples' - porém, digna -. As pessoas são 'diferentes' e é preciso respeitar isso - e isso é bom! -, é preciso deixar que cada indivíduo contribua 'socialmente' como se propõe e de acordo o preço que 'pode' e está disposto a pagar. Cada indivíduo tem prioridades diferentes, e não cabe ao estado intervir nisso para 'segurar' os que tem prioridades mais altas ou que tem aptidões ou perspectivas mais ousadas.

03. "A família, a Religião, e 'valores morais ocidentais' são ruins do aspecto comunitário, pois, criam em 'sua base' a perpetuação de uma ideologia 'patriarcal' e 'preconceituosa', onde as mulheres são oprimidas pelo conceito do marido patriarca familiar, e cria desigualdade entre os 'cônjuges'." Tenho um ferrenho 'repúdio' a essa ideologia, não à tôa há um esforço tão grande para a instituição de novos 'modelos familiares' e a imposição dessa ideologia até mesmo aos que não 'crêem' em suas premissas, os quais passam a ser rotulados de 'homofóbicos' e 'intolerantes', inclusive 'líderes religiosos' que passam a ser 'socialmente' pressionados a rever suas convicções. Cada um é livre para 'fazer e viver' como quiser, todavia, não é livre para padronizar e impor as suas ideologias sobre aqueles que nela não crêem, portanto, novamente, outro ponto altamente violentador das 'liberdades individuais', e que não respeita os valores morais e religiosos de cada indivíduo, querendo 'padronizar' até mesmo o modo de pensar de cada indivíduo.

04. "A religião cria preconceitos que 'diferencia' os seres humanos, por isso, deve ser abolida ou mitigada, e a melhor maneira de se fazer isso é de dentro para fora". Novamente, tenho ferrenho 'repúdio' a essa ideologia, daqui inclusive vão nascer as tão criticadas 'teologia da libertação' ou 'teologia da missão integral' que enraizou dentro de boa parte da 'Igreja Católica' e 'Evangélica', destruindo seus valores basilares e elementares - desfigurando-as completamente -, e, não à tôa, há um esforço tão grande para a 'instituição de uma nova condição mental' que se admita como 'normal' a ideia da 'inexistência natural sexual' com base no 'órgão reprodutor natural' masculino ou feminino, a já conhecida 'ideologia de gênero' que sustenta que ninguém nasce 'homem' ou 'mulher', e que o fato de ter um 'órgão sexual' masculino ou feminino nada tem a ver com a sua sexualidade natural, de modo que, esta, decorre da 'descoberta natural' que virá à medida da sua evolução e amadurecimento enquanto ser humano.

05. a minha maior e mais ferrenha 'crítica' às ideologias mais à 'esquerda' se escoram justamente no fato de que aqui, as 'liberdades individuais' serem absurdamente podadas sob a alcunha de 'bem estar comunitário' ou 'bem estar social', de modo que, uma 'ideologia individual e minoritária' é elevada ao status de 'ideologia comunitária', que passa a ser imposta em detrimento da própria 'ideologia individual', que ganha uma nova 'roupagem social' quase que imperceptível. Obviamente, isso não acontece da noite para o dia, levando uma média de '10, ou 15 anos', e só etão se começar a 'perceber' a sua 'consecução prática', assim, ainda que aos poucos, gradualmente, e por meio de 'leis, normas e mídia', todos os indivíduos vão sendo submetidos a ela e a essa nova 'condição mental e cultural', de modo que, aqueles que não a abraçam, passam a ser vistos como 'opressores' e 'intolerantes', criando-se uma nova 'divisão de classes' - as pessoas evoluídas de 'mente aberta' e 'do bem' versus as 'pessoas retrógradas', 'preconceituosas' e 'do mal' - porém, observe que os 'opressores e intolerantes' são justamente estes que querem impor suas ideologias sem respeitar as ideologias até então vigentes. Querem elevar uma 'ideologia minoritária' e de 'espectro individual' ao status de 'ideologia comunitária', porém, não admitem as 'ideologias comunitárias' até então vigentes, exceto, obviamente, se elas colaborarem para a 'solidificação' dos seus ideais.

Por outro lado, quanto mais se caminha para a 'direita', o Estado vai perdendo o seu papel 'centralizador', e as 'liberdades individuais' passam a ser o foco maior de defesa.:

01. 'ninguém pode obrigar outra pessoa a fazer ou deixar de fazer algo que ela não queira fazer', seja ela branca, negra, amarela ou azul - inclua-se aí 'crer' ou 'acreditar' em algo que ela não queira ou não crer em algo que ela não queira. Cabe ao Estado apenas 'zelar' e 'fiscalizar' para que esse 'pilar ideológico' de defesa das liberdades individuais seja respeitado, e punir os que a ele violarem. Assim, cabe punir qualquer forma de violência contra quem pensa diferente - seja uma violência 'física ou emocional'.

02. "ninguém pode tocar na 'propriedade privada', seja o seu titular negro branco, vermelho ou verde e amarelho, seja cristão, judeu, ateu ou mulçumano. Cada um é livre para crer no que quiser, e inclusive, não crer, não cabendo a ninguém tratá-lo diferente por isso, e, cabendo ao Estado punir quem o faz, seja 'violentamente' ou 'emocionalmente', sem, todavia, boicotar a livre manifestação de ideias e opiniões sobre qualquer temática". O que não se pode admitir é o 'ataque' direcionado aos individuos enquanto 'pessoas', todavia, o questionamento de 'ideias', não pode ser podado. Se alguém deseja criticar o 'cristianismo' - catolicismo ou protestantismo - que o faça e arque com as 'consequências espirituais' diante de Cristo, e, se não crê nisso, nem em suas 'consequências transcendentais', tudo bem, é um direito de cada indivíduo 'crer ou não crer' e falar o que pensa, todavia, jamais será admitido o 'ataque' a um cristão' - seja fisicamente ou emocionalemente - pelo fato dele 'ser' cristão e 'pensar' como cristão. De igual modo, quer tecer críticas à 'ideologia de gênero' que o faça, todavia, não persiga e violente homessexuais ou seus defensores, seja física ou emocionalemente - pelo fato dele se achar 'homossexual' ou 'pensar' como 'homossexual, bissexual, polissexual, ou seja lá o que for. Cada um tem o direito de 'viver' como quiser e 'fazer' o que quiser, e, se ele não crê nas 'consequências transcendentais' disso, é uma questão 'individual' dele.

03. "ninguém pode inteferir nas atividades comerciais, e, se em último caso, essa intervenção for necessária, que seja o 'mínimo possível'." Seja o mínimo possível para manter a ordem, evitar os abusos contra as 'liberdades individuais', e o uso abusivo do poder econômico como forma de interferir nas relações entre os indivíduos.

04. "ninguém tem o direito de entrar na família e dizer como esta deve criar os seus filhos, cabendo, 'se necesário for, apenas coibir os 'abusos e violências físicas e emocionais'."

05. "O Estado deve promover 'políticas sociais' de preservação da dignidade humana, contudo, evitando invadir o máximo possível às liberdades individuais da 'menor minoria', qual seja, o próprio 'indivíduo'."

Obviamente, pela abordagem das minhas ideias, pode-se perceber que estou mais próximo da 'direita' do que da 'esquerda' - me distanciando, aliás, bastante, desta última -, ademais, ainda assim procuro extrair o que há de proveitoso deste lado, qual seja, a ideia de 'igualdade' - especialmente, no tocante à questão econômica -, contudo, sob o meu ponto de vista, eles usam o método 'errôneo e equivocado' para isso, o que acaba gerando ainda mais 'desigualdade', à medida que empobrece mais a sociedade, e, por sua vez, a 'igualdade' almejada acaba sendo nivelada muito por baixo, como ocorre em todos os países de cunho mais 'socialista', ideologia situada dentro do aspectro da 'esquerda'.

Inobstante isso, creio que 'nem todos' os regimes 'totalitários', possam 'em termos absolutos' ser enquadrados como de 'esquerda', por outro lado, é ainda mais 'errôneo e equivocado' tentar enquadrá-los como de 'direita' haja vista que o 'pilar essencial' do 'espectro totalitarista' - como o próprio nome já anuncia - decorre de um 'regime totalitário' (que pressupõe a 'mitigação ou aniquilação' das liberdades individuais), e o pilar básico do 'espectro de direita' é justamente a 'intocabilidade' e 'intangibilidade' dos direitos individuais' - independente de cor, gênero, religião ou etnia -. Os 'regimes totalitários' são centralizadores numa figura representativa do Estado, enquanto que o 'espectro de direita' abomina a 'centralização de poder estatal', buscando sempre a 'diminuição do poder e interferência estatal' na vida das pessoas.

Os movimentos totalitários do 'nazismo' ou mesmo do 'Ku Klux Klan', são movimentos 'sui generis', ou seja, 'anomalias político-ideológicas' doentias, que pegam alguns pontos do 'espectro de esquerda', outros do 'espectro de direita' e constroem algo que persiga seus ideais 'políticos-sociais' doentios.

Eles pegam - por exemplo - a 'centralização e concentração do poder estatal' em suas mãos, para criar uma 'divisão e aniqulação' dos diferentes ou inferiores que, em sua concepção doentia é a questão 'étnica ou racial', de modo que, pessoas de outras 'etnias ou religiões' são inferiores, atrasam a sociedade e precisam ser aniquilados, extirpados da sociedade, em busca da construção de um 'arquetipo humano' superior, no caso uma raça 'pura' e 'ariana'. Observe que, esse último "pilar" 'personalíssimo' ao 'nazismo' ou 'Ku Klux Klan', é um 'pilar' que não existe nem no 'espectro originário' de 'esquerda', nem no de 'direita'. Todavia, ele pode ser substituído, pelo 'pilar do 'não respeito às liberdades individuais', e por isso, a meu ver, se aproxime mais do 'espectro de esquerda', o qual costuma enxergar a 'religião' e os 'padrões familiares ocidentais' como algo maléfico ao desenvolvimento do indivíduo e da construção da ideia de uma 'consciência comunitária' de justiça e igualdade. continuar lendo

Boa tarde. Eu te digo exatamente a mesma coisa: você acerta em alguns pontos, mas peca em muitos outros. E a sua conclusão também está equivocada.

1) Você se equivoca ao dizer que "Um dos pontos cruciais da 'Esquerda' tradicional é a concentração de poder no Estado como forma de 'controlar' (...) suprime as 'liberdades individuais".

Errado. O que você entende por esquerda tradicional não é tão tradicional assim, porque o que você entende por esquerda tradicional é uma concepção de meados do século XIX e século XX - você atrela a esquerda ao trabalhismo e ao marxismo. A esquerda é anterior a isso, vem das Revoluções Burguesas. Por isso não há nenhum absurdo hoje termos uma esquerda liberal, aquela esquerda que aceita a ordem liberal política como o melhor sistema. E não tem sentido colar a esquerda tradicional a "concentração de poder no Estado", sendo que foi a esquerda do parlamento francês que queria combater a concentração do poder nas mãos do Rei. A direita tradicional é quem gosta do Estado, ela defendia o Antigo Regime e, posteriormente, os hegelianos de direita, adeptos do hegelianismo ortodoxo, eram devotos do Estado Prussiano, pois como Hegel acreditavam que o Estado era última manifestação do Espírito.

2) A direita conservadora também suprime liberdades individuais e também usa do Estado para fazer isso. Proibição de união de homossexuais e de uso de drogas é um exemplo bastante comum. O fato é que a direita conservadora quer suprimir liberdades que ameacem as tradições e costumes de uma sociedade (e você mesmo deixou isso implícito em seu comentário) ou que ameacem a "ordem social" hierárquica, por isso o pavor de ideologias revolucionárias. Você também desconhece que já existiu direita anticapitalista, que não era revolucionária (mas reacionária) e nem utilizava da terminologia de esquerda "proletariado x empresário", mas que repudiava o caráter revolucionário do capitalismo, como a modificação da rotina familiar e o rompimento de uma hierarquia social para colocar outra no lugar. Tanto a esquerda quanto a direita podem ser autoritárias ou totalitárias e atentarem contra as liberdades individuais.

3) Outro equívoco: o surgimento de líderes carismáticos e "homens empoderados" não vem somente da concentração do poder ou da crítica ao capitalismo "opressor". O próprio fascismo não surgiu assim - ele não veio da concentração de nenhum poder, veio de dentro das massas, do próprio movimento democrático. Muito menos veio da crítica de que "capitalistas precisam ser controlados". Você desconhece que a burguesia industrial apoiou Adolf Hitler e foi para que ele salvasse a Alemanha da "ameaça vermelha". Ao contrário do que você diz, os próprios capitalistas podem financiar a ascensão de um líder carismático e tirano desde que este prometa proteger suas propriedades. Assim, como a direita pode apoiá-lo para que o mesmo mantenha a "ordem". Foi assim na Alemanha, por exemplo. Com a ascensão do Comunismo na Europa, os capitalistas alemães apoiaram Adolf, porque ele prometeu não deixar que os alemães sofressem com o "comunismo anárquico". O nazifascismo é uma reação violenta a qualquer ameaça ao capitalismo.

4) Como eu explico no texto, direita e esquerda têm a ver com defesa de igualdade e hierarquia. Não tem a ver com concentração de poder ou defesa de liberdades individuais. Ambos espectros podem praticar as duas coisas para atingir seus objetivos. Nem sempre o Estado intervem para atacar liberdade. A KKK, por exemplo, em sua origem utilizava do liberalismo econômico para defender a hierarquia escravocrata ("os escravos são minhas propriedades, o Estado não pode intervir para tirá-los de mim"). Portanto, insisto, a KKK e o nazismo são de extrema-direita. Abs e obrigado. continuar lendo

Roni Pereira, me responde uma já que se achas tão inteligente a ponto de desmerecer qualquer informação contraria a sua... Você acha certo existir cotas para negros? continuar lendo

No Brasil sim, acho correto cotas para negros. continuar lendo

Respondeu definidamente é militante de esquerda que vive passando vergonha achando que não passou vergonha por ser extremamente burro. continuar lendo

"militante de esquerda", "burro", disse o militante de direita que é incapaz de rebater um
único argumento do texto. Vamos lá, Tiaguinho, se eu sou burro não deve ser difícil rebater né? continuar lendo